Dentro do meu peito
trago essa flecha veloz
nela, minha voz
Canto pra entender as urgencias do mundo
pra trazer cá pro fundo um pouco de luz
Canto pra entrender que a a vida é breve
e que poesia a gente escreve com as horas que passam, com os dias que se vao
Canto pra entender que poesia é viver
Canto para entender que poesia é viver
Tuesday, 15 December 2009
Monday, 7 December 2009
Thursday, 19 November 2009
passarinho e haicai
estudo 01
a palavra dita
é passarinho voando
rasga o céu da boca
a palavra dita
é passarinho voando
rasga o céu da boca
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tentando haicai
Thursday, 12 November 2009
tentando haicai de natureza minha
dentro do meu peito
trago essa flecha veloz
nela, minha voz
renato frazao aparafusou minha métrica. mas ainda nao aprendi direito. alguém me diz como eu divido a passagem ai de cima em silabas poeticas? pra ser um haicai tem que seguir 5/7/5...
trago essa flecha veloz
nela, minha voz
renato frazao aparafusou minha métrica. mas ainda nao aprendi direito. alguém me diz como eu divido a passagem ai de cima em silabas poeticas? pra ser um haicai tem que seguir 5/7/5...
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Friday, 25 September 2009
Monday, 14 September 2009
medidas
tinha uma perna curta, a outra era longa. Ou tinha uma das pernas longa demais?
toda vez que comprava uma calça tinha que levar no alfaiate. Os sapatos, depois de anos de tropeções e tombos, agora levavam sempre um salto para compensar a diferença. Mesmo assim andava meio torta.
toda vez que comprava uma calça tinha que levar no alfaiate. Os sapatos, depois de anos de tropeções e tombos, agora levavam sempre um salto para compensar a diferença. Mesmo assim andava meio torta.
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Thursday, 10 September 2009
deslocamento
são tantas várias
muitas que são nem mil palavras as descreveriam
e delas todas só sobrou uma de muitas que um dia foi
foi no galope do tempo passado ou na cauda do cometa harley
que se perderam uma das outras
andavam todas de mãos atadas, todas assim sendo muitas em uma
era Sheila, era Carla, era Beta, era Rita
era fera, era feia, era dura, era bonita
pedra, folha, ar e chão
era ela, era ela, erra ela, é ruela, zerou ela
deu zebra, coluna do meio
muitas que são nem mil palavras as descreveriam
e delas todas só sobrou uma de muitas que um dia foi
foi no galope do tempo passado ou na cauda do cometa harley
que se perderam uma das outras
andavam todas de mãos atadas, todas assim sendo muitas em uma
era Sheila, era Carla, era Beta, era Rita
era fera, era feia, era dura, era bonita
pedra, folha, ar e chão
era ela, era ela, erra ela, é ruela, zerou ela
deu zebra, coluna do meio
Tuesday, 1 September 2009
Batom gasto
Chora todo dia a coitada
Seus dias de atriz ficaram pra traz
Olhando pra ela ninguém diz
Que ela um dia foi a tal
Amada por alguns homens bons
Seu pescoço conhecia o carinho
de alguns
Suas coxas conheciam o encaixe
de alguns
Suas mãos conheciam o segredo
de alguns
Seu batom está gasto, com a pontinha do dedo mindinho
Esfrega o resto do vermelho carmim no lábio fino
Seus dias de atriz ficaram pra traz
Olhando pra ela ninguém diz
Que ela um dia foi a tal
Amada por alguns homens bons
Seu pescoço conhecia o carinho
de alguns
Suas coxas conheciam o encaixe
de alguns
Suas mãos conheciam o segredo
de alguns
Seu batom está gasto, com a pontinha do dedo mindinho
Esfrega o resto do vermelho carmim no lábio fino
Sunday, 2 August 2009
Ipê
No pé de jaca, ou na macieira
dentro de um ninho, ou fora da toca
eu passeio, eu passei ó
Ipê amarelo, árvore majestosa
amarelo ouro
amarelo- no sol, nas flores e na minha lembrança
dentro de um ninho, ou fora da toca
eu passeio, eu passei ó
Ipê amarelo, árvore majestosa
amarelo ouro
amarelo- no sol, nas flores e na minha lembrança
Thursday, 23 July 2009
Mente sã
eu nasci e fui criada na zona oeste do rio de janeiro
de pequena comi muita goiaba, matei muita cobra com paulada na cabeça e vi seus rabinhos mesmo quando cortados pularem pelo chão de terra e mato crescido
tinha muito pé de tomate selvagem- sempre pequenos e verdes
galinha pintada de branco e preto adentrava o portão sem tranca
minha casa não conhecia chave, nem eu que andava por ai sem eira e nem beira, sem nada nas mãos, sem bolsa ou mochila, sem chave, sem medo
guerra de mamonas, ploc monster na birosca da esquina da segunda rua era modernidade, corrida atrás de balão, bicicleta rio a cima e em velocidade alucinante ladeira abaixo, dente e braço e queixo e cabeça quebrada, mas corpo são
corpo são
de pequena comi muita goiaba, matei muita cobra com paulada na cabeça e vi seus rabinhos mesmo quando cortados pularem pelo chão de terra e mato crescido
tinha muito pé de tomate selvagem- sempre pequenos e verdes
galinha pintada de branco e preto adentrava o portão sem tranca
minha casa não conhecia chave, nem eu que andava por ai sem eira e nem beira, sem nada nas mãos, sem bolsa ou mochila, sem chave, sem medo
guerra de mamonas, ploc monster na birosca da esquina da segunda rua era modernidade, corrida atrás de balão, bicicleta rio a cima e em velocidade alucinante ladeira abaixo, dente e braço e queixo e cabeça quebrada, mas corpo são
corpo são
Wednesday, 15 July 2009
Monday, 29 June 2009
Zum zum zum de zumbido
E eu fico com essa vontade de chorar
É como soco no olho
ao pé do altar
soco no estômago
ao acordar
ver estrelinhas
de tanta dor
Ouvir zumbido, dentro do ouvido
depois de ganhar muito tapa
depois de levar uma surra
da vida que não faz sentido algum em mim
é roupa que fede de bolor
é rosto que se esconde de sol
é a culpa, é a culpa
em processo de feitura
É como soco no olho
ao pé do altar
soco no estômago
ao acordar
ver estrelinhas
de tanta dor
Ouvir zumbido, dentro do ouvido
depois de ganhar muito tapa
depois de levar uma surra
da vida que não faz sentido algum em mim
é roupa que fede de bolor
é rosto que se esconde de sol
é a culpa, é a culpa
em processo de feitura
Friday, 26 June 2009
Quando a palavra vira música
Ontem fui ao show do Pedro Ivo, músico talentoso, e escutei pela primeira vez palavra minha virar música de outro. Um escrevinhado meu virou música de Pedro. E tinha gente na platéia cantando junto.
Já postei a letra aqui no início do blogue, mas vale a repetição pra explicitar minha alegria em ver a bola no ar.
Ele, o homem
Já vi homem grande chorar pequeno, já vi homem feito tentar voar do parapeito
já vi homem sério se engasgar com veneno
já vi homem certo depois de um pulo dar defeito
já vi homem macho ser menos homem que uma mulher
já vi homem atleta deixar a peteca cair
já vi homem bomba fazer tic-tac e nunca explodir
já vi homem bom que por preguiça decide sempre mentir
já vi homem forte não aguentar carregar seu próprio peso
já vi tantos homens num homem só
engatados todos num grande nó
Ai que dó! Ai que dó!
Já postei a letra aqui no início do blogue, mas vale a repetição pra explicitar minha alegria em ver a bola no ar.
Ele, o homem
Já vi homem grande chorar pequeno, já vi homem feito tentar voar do parapeito
já vi homem sério se engasgar com veneno
já vi homem certo depois de um pulo dar defeito
já vi homem macho ser menos homem que uma mulher
já vi homem atleta deixar a peteca cair
já vi homem bomba fazer tic-tac e nunca explodir
já vi homem bom que por preguiça decide sempre mentir
já vi homem forte não aguentar carregar seu próprio peso
já vi tantos homens num homem só
engatados todos num grande nó
Ai que dó! Ai que dó!
Tuesday, 23 June 2009
Saturday, 20 June 2009
Um lugar pra chamar de meu
Numa dessas caminhadas sem meus pés eu fui dar num lugar
um tanto distante
por lá fiz minha casa e coloquei um teto nela
A casa era torta e não tinha janelas
Mas tinha portas, muitas portas
e portinhas por todos os lados, até no chão havia porta
as portas eram todas trancadas, e eu tinha um chaveiro pesado
um tanto distante
por lá fiz minha casa e coloquei um teto nela
A casa era torta e não tinha janelas
Mas tinha portas, muitas portas
e portinhas por todos os lados, até no chão havia porta
as portas eram todas trancadas, e eu tinha um chaveiro pesado
Monday, 1 June 2009
Ticket Barra-Gávea
Foi passageiro
muito rápido que nem trem bala
E que nem trem bala que passa ligeiro
não deu pra guardar na retina nenhum contorno, nenhuma imagem definida
Foi paisagem que passa embaçada
Foi bala que se engole inteira
Não lembro nenhum passo da sua coreografia
daquele bando de movimentos executados com perfeição
Pernas, braços, língua, mão, uma cadencia de escrita tão bonita
Fiquei apenas com uma pequena sensação- vivi aquilo tudo? Ou aquilo tudo foi em vão?
muito rápido que nem trem bala
E que nem trem bala que passa ligeiro
não deu pra guardar na retina nenhum contorno, nenhuma imagem definida
Foi paisagem que passa embaçada
Foi bala que se engole inteira
Não lembro nenhum passo da sua coreografia
daquele bando de movimentos executados com perfeição
Pernas, braços, língua, mão, uma cadencia de escrita tão bonita
Fiquei apenas com uma pequena sensação- vivi aquilo tudo? Ou aquilo tudo foi em vão?
Monday, 25 May 2009
Num rio
Daquilo tudo que sinto resolvi me aquietar
Deixo cair na água
Deixo a água levar
Daquilo tudo aqui dentro resolvi me despedir
Deixo cair na água
Deixo a água lavar
Daquilo tudo que fui resolvi me desmentir
Deixo cair na água
Deixo a água arrastar
.... Venha cá pra perto e me diz umas palavras suas
Ao pé do ouvido que é pra eu melhorar....
Deixo cair na água
Deixo a água levar
Daquilo tudo aqui dentro resolvi me despedir
Deixo cair na água
Deixo a água lavar
Daquilo tudo que fui resolvi me desmentir
Deixo cair na água
Deixo a água arrastar
.... Venha cá pra perto e me diz umas palavras suas
Ao pé do ouvido que é pra eu melhorar....
Saturday, 9 May 2009
Forminha de papel
Enche a boca pra falar
Muita saliva, dente, língua
E não tem nada a dizer
Mas mesmo assim ela é uma fera
Tem unha na fala dessa gata
Tem farpa no olho dessa moça
Tem morto no sangue dessa mina
E mesmo assim ela é menina
Enche a boca pra cuspir
Língua em riste, saliva ácida, dente afiado
Marimbondos, borboletas, bolinhas de sabão
Essa mulher não sabe quem ela é
Mas mesmo assim ela é uma fera
Muita saliva, dente, língua
E não tem nada a dizer
Mas mesmo assim ela é uma fera
Tem unha na fala dessa gata
Tem farpa no olho dessa moça
Tem morto no sangue dessa mina
E mesmo assim ela é menina
Enche a boca pra cuspir
Língua em riste, saliva ácida, dente afiado
Marimbondos, borboletas, bolinhas de sabão
Essa mulher não sabe quem ela é
Mas mesmo assim ela é uma fera
Tuesday, 28 April 2009
Caber
Não quero caber no quadro da fotografia
Quero que meu peito caiba na sua mão!
Uma idéia de um rapaz jovem e moreno
que um dia encontrei, num relance
no susto
e passou
... pescou?
Mas é só charme, não quero nem que meu peito caiba em suas mãos
não quero caber em lugar algum
nem em mim mesma
Quero que meu peito caiba na sua mão!
Uma idéia de um rapaz jovem e moreno
que um dia encontrei, num relance
no susto
e passou
... pescou?
Mas é só charme, não quero nem que meu peito caiba em suas mãos
não quero caber em lugar algum
nem em mim mesma
Monday, 13 April 2009
Vai de bala?
A bola que rola na rua
O carro que sobe a ladeira
O grito do moleque do alto do muro
E lá se vai...
...se vai mais uma estrela
...se vai mais um na pista
O tapa no canto da orelha
A barriga que nunca está cheia
E o moleque de calção de banho
E lá se vai...
...se vai descendo a onda
...se vai mais um dos bambas
As noites e as farras mil
Cachaça e conhaque, um barril
Um beijo em quem nunca se viu
E lá se vai...
...se vai amando torpe
...se vai trocando os pés
O corpo deitado e nu
Suor ainda nas têmporas
Foi tiro, foi pássaro, foi vento
Ninguém viu, nada se ouviu, nenhum relato
E lá se vai...
...se vai vivendo à beça
...se vai vivendo à beça
O carro que sobe a ladeira
O grito do moleque do alto do muro
E lá se vai...
...se vai mais uma estrela
...se vai mais um na pista
O tapa no canto da orelha
A barriga que nunca está cheia
E o moleque de calção de banho
E lá se vai...
...se vai descendo a onda
...se vai mais um dos bambas
As noites e as farras mil
Cachaça e conhaque, um barril
Um beijo em quem nunca se viu
E lá se vai...
...se vai amando torpe
...se vai trocando os pés
O corpo deitado e nu
Suor ainda nas têmporas
Foi tiro, foi pássaro, foi vento
Ninguém viu, nada se ouviu, nenhum relato
E lá se vai...
...se vai vivendo à beça
...se vai vivendo à beça
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pensamento lento
Saturday, 11 April 2009
Parte 02, Manuel
Manuel começou a guardar em casa, em porta-retratos e como recortes colados pelas paredes, imagens que o lembrassem da tal morena: nádegas redondas em profusão, apertadinhas em saias justas ou calças jeans, esvoaçadas em saias e vestidos floridos; colou pelas paredes, recortadas de revistas, rosas vermelhas também, sempre acompanhadas de taças de vinhos e casais a brindar!
Como se tornou doce a vida de Manuel a sonhar.
Ele desenvolveu uma relação íntima com tal morena, conversava, levava para jantar, passeava em parques e em dias de calor os dois saiam para tomar sorvete de casquinha.
Manuel era puro êxtase em sua vida a dois- ele e a morenaça que viva apenas em sua lembrança.
Como se tornou doce a vida de Manuel a sonhar.
Ele desenvolveu uma relação íntima com tal morena, conversava, levava para jantar, passeava em parques e em dias de calor os dois saiam para tomar sorvete de casquinha.
Manuel era puro êxtase em sua vida a dois- ele e a morenaça que viva apenas em sua lembrança.
Friday, 10 April 2009
Cheiroso, o Manuel
Manuel era um cara cheiroso.
Muito asseadinho, sempre passava loção pós-barba.
Não era feio, mas tão pouco bonito era. Fazia sucesso entre as mulheres.
Tinha os olhos de chorão. Conseguia qualquer favor das moças com seu olhar safado.
Um dia Manuel andava distraído pela rua e não se deu conta do acontecido. Cruzava a travessa dos Telles quando se deu o ocorrido!
Nunca tinha se apaixonado por nadegas tão belas antes. Que remelexo, que gingado a morena tinha. Viu-se desde então apaixonado por aquele rabo de saia.
Todos os dias ficava espreitando e seguindo com rabo de olho a morenaça que passava cronometradamente às sete e meia da matina nos arcos de Telles e seguia descendo a rua até desaparecer da vista de Manuel. Manuel ainda não tinha tido a coragem de lhe dirigir a palavra, ou então seguir-lhe para ver aonde tal pitéu iria. Manuel se contentava em lhe ver passar.
Seu coração ia à boca, dava até suor nas palmas das mãos de Manuel, molhando-o a camisa.
O pobre coitado não se entendia mais, passava o dia inteiro na espera do dia seguinte, quando então às sete e meia da manha seu amor deixaria seu perfume adocicado pelo ar.
Muito asseadinho, sempre passava loção pós-barba.
Não era feio, mas tão pouco bonito era. Fazia sucesso entre as mulheres.
Tinha os olhos de chorão. Conseguia qualquer favor das moças com seu olhar safado.
Um dia Manuel andava distraído pela rua e não se deu conta do acontecido. Cruzava a travessa dos Telles quando se deu o ocorrido!
Nunca tinha se apaixonado por nadegas tão belas antes. Que remelexo, que gingado a morena tinha. Viu-se desde então apaixonado por aquele rabo de saia.
Todos os dias ficava espreitando e seguindo com rabo de olho a morenaça que passava cronometradamente às sete e meia da matina nos arcos de Telles e seguia descendo a rua até desaparecer da vista de Manuel. Manuel ainda não tinha tido a coragem de lhe dirigir a palavra, ou então seguir-lhe para ver aonde tal pitéu iria. Manuel se contentava em lhe ver passar.
Seu coração ia à boca, dava até suor nas palmas das mãos de Manuel, molhando-o a camisa.
O pobre coitado não se entendia mais, passava o dia inteiro na espera do dia seguinte, quando então às sete e meia da manha seu amor deixaria seu perfume adocicado pelo ar.
Wednesday, 1 April 2009
Nenhum
Eu moro ali
Em algum lugar ali eu moro
Não sei ao certo em que porta ou janela
Em que rua, ruela
Sei que em algum lugar eu moro
Eu moro ali
Em algum lugar ali eu moro
Não sei em que porta ou janela
Em que rua, ou ruela eu moro
Eu moro ali
Em algum lugar nenhum eu moro
Em lugar nenhum ali eu moro
Sei que em algum lugar eu moro
Eu moro ali
Em algum lugar ali eu moro
Não sei ao certo em que porta ou janela
Em que rua, ruela
Sei que em algum lugar eu moro
Eu moro ali
Em algum lugar ali eu moro
Não sei em que porta ou janela
Em que rua, ou ruela eu moro
Eu moro ali
Em algum lugar nenhum eu moro
Em lugar nenhum ali eu moro
Sei que em algum lugar eu moro
Eu moro ali
Tuesday, 24 March 2009
Monday, 23 March 2009
Falso ou real?
Maira e o dente falso.
Estávamos todos num boteco a beira mar em algum lugar de Angra dos Reis.
Maira não pisava nos asfaltos da cidade do Rio de Janeiro já tinha muitos anos. Sua fala já era mansa e macia que nem o mar de Angra e a areia em que pisávamos naquela tarde.
O resto de nós estava de passagem. Esperando uma barca. Mas ela estava lá, lá era seu lugar. Seu point. Morava em Angra desde que deixara pra trás as fotos e as noticias que cobrira para grandes jornais impressos de alcance nacional.
Maira agora faltava com o tempo. Ela nunca estava em tempo algum. Decidira que ia viver como se ela mesma já não existisse. Os dias passavam, as horas e anos passavam. Mas Maira não passava mais. Ela estava parada, ou suspensa no nada. E ficava lá, como uma corda exposta ao sol e a chuva, a maresia. Uma corda rota.
Eu e ela engajamos uma conversa sem importância qualquer, foi assim que fiquei sabendo de maneira breve e superficial de seu passado glorioso como fotojornalista e de seu dente falso.
Caiu se confundindo com a areia, os dois eram quase da mesma cor, mas ela já com certa experiência, catou seu dente entre as conchas e sem vergonha alguma da situação, devolveu o dente para seu lugar no meio da mesma frase que anunciava que decidira largar tudo e todos quando cobria o impeachment de Collor.
Eu tenho que confessar que fiquei chocada. A Desistência.
- Desistência ou morte! – uma palavra trocada? Não seria independência?
O dente caiu da boca de Maira como um chiclete mascado. Achei que ela estivesse cuspindo uma bala, um chiclete velho, ou catarro mesmo. Mas pra minha surpresa, notei o buraco preto na sua arcada e vi seus dedos ágeis catando a prótese e encaixando a mesma de volta no buraco. Maira e o dente que cai.
Até hoje não sei se o dente falso era realmente uma prótese, ou se Maira como a corda rota exposta ao tempo e suas intempéries, já se desfazia, se desmontava com o passar da vida.
Estávamos todos num boteco a beira mar em algum lugar de Angra dos Reis.
Maira não pisava nos asfaltos da cidade do Rio de Janeiro já tinha muitos anos. Sua fala já era mansa e macia que nem o mar de Angra e a areia em que pisávamos naquela tarde.
O resto de nós estava de passagem. Esperando uma barca. Mas ela estava lá, lá era seu lugar. Seu point. Morava em Angra desde que deixara pra trás as fotos e as noticias que cobrira para grandes jornais impressos de alcance nacional.
Maira agora faltava com o tempo. Ela nunca estava em tempo algum. Decidira que ia viver como se ela mesma já não existisse. Os dias passavam, as horas e anos passavam. Mas Maira não passava mais. Ela estava parada, ou suspensa no nada. E ficava lá, como uma corda exposta ao sol e a chuva, a maresia. Uma corda rota.
Eu e ela engajamos uma conversa sem importância qualquer, foi assim que fiquei sabendo de maneira breve e superficial de seu passado glorioso como fotojornalista e de seu dente falso.
Caiu se confundindo com a areia, os dois eram quase da mesma cor, mas ela já com certa experiência, catou seu dente entre as conchas e sem vergonha alguma da situação, devolveu o dente para seu lugar no meio da mesma frase que anunciava que decidira largar tudo e todos quando cobria o impeachment de Collor.
Eu tenho que confessar que fiquei chocada. A Desistência.
- Desistência ou morte! – uma palavra trocada? Não seria independência?
O dente caiu da boca de Maira como um chiclete mascado. Achei que ela estivesse cuspindo uma bala, um chiclete velho, ou catarro mesmo. Mas pra minha surpresa, notei o buraco preto na sua arcada e vi seus dedos ágeis catando a prótese e encaixando a mesma de volta no buraco. Maira e o dente que cai.
Até hoje não sei se o dente falso era realmente uma prótese, ou se Maira como a corda rota exposta ao tempo e suas intempéries, já se desfazia, se desmontava com o passar da vida.
Tuesday, 17 March 2009
Nada como a luz do dia pra se festejar
Duas. Elas são duas.
Uma é morena e tem o coração apertado de dúvidas, muitas dúvidas. A outra meio branquinha e de óculos, tem o coração aberto, até mesmo meio frouxo- deixa entrar poeira, caco de vidro, gente torta, e todas as novidades que encontra pelo caminho.
A morena escolhe a dedo, a branquinha aceita tudo.
Uma vez elas se olharam, uma comprava leite e ovo, a outra café e jornal. Depois daquela vez elas se olham todos os dias.
Uma dorme do lado esquerdo da cama, a outra às vezes no sofá, às vezes na varanda, às vezes não dorme.
A morena diz que a vida é feita de ilusões. Que nada é realmente como se vê, que o que se vê depende de muitos fatores, e que os fatores que influem na forma de se ver o mundo realmente são muitos e tem peles diferentes.
Já a branquinha acha a vida boa, cruel sim, mas muito boa. Não se importa muito com que ela mesma pensa da vida- diz que o importante é viver. E passa suas tardes a registrar os olhares que tem sobre as coisas do mundo. Registra em palavras e imagens fotográficas.
Nisso elas combinam. As duas têm no registro fotográfico um salário no final do mês.
É importante fotografar a vida. Registrar o momento. Depois isso paga o leite, o ovo, o jornal e o café. Não paga muito mais.
As duas se gostam em demasia. A morena adora os peitos pequenos da branquinha. A branquinha se perde nos peitos fartos da morena. Nunca viu peitos tão lindos!
E assim elas vão indo, escutando Sarka do compositor checa Bedrich Smetana, escutando também Dani Black, Madredeus, e alguma coisa de Arnaldo Antunes. As duas gostam da rua. Podem passar horas, muitos dias, como transeuntes sem destinação, ou então como observadoras ferrenhas da vida que se desenrola pela rua.
Algumas manhãs de sábado acordam cedo e se amam. Nada como a luz do dia pra se festejar um amor, ou um benzinho.
Uma é morena e tem o coração apertado de dúvidas, muitas dúvidas. A outra meio branquinha e de óculos, tem o coração aberto, até mesmo meio frouxo- deixa entrar poeira, caco de vidro, gente torta, e todas as novidades que encontra pelo caminho.
A morena escolhe a dedo, a branquinha aceita tudo.
Uma vez elas se olharam, uma comprava leite e ovo, a outra café e jornal. Depois daquela vez elas se olham todos os dias.
Uma dorme do lado esquerdo da cama, a outra às vezes no sofá, às vezes na varanda, às vezes não dorme.
A morena diz que a vida é feita de ilusões. Que nada é realmente como se vê, que o que se vê depende de muitos fatores, e que os fatores que influem na forma de se ver o mundo realmente são muitos e tem peles diferentes.
Já a branquinha acha a vida boa, cruel sim, mas muito boa. Não se importa muito com que ela mesma pensa da vida- diz que o importante é viver. E passa suas tardes a registrar os olhares que tem sobre as coisas do mundo. Registra em palavras e imagens fotográficas.
Nisso elas combinam. As duas têm no registro fotográfico um salário no final do mês.
É importante fotografar a vida. Registrar o momento. Depois isso paga o leite, o ovo, o jornal e o café. Não paga muito mais.
As duas se gostam em demasia. A morena adora os peitos pequenos da branquinha. A branquinha se perde nos peitos fartos da morena. Nunca viu peitos tão lindos!
E assim elas vão indo, escutando Sarka do compositor checa Bedrich Smetana, escutando também Dani Black, Madredeus, e alguma coisa de Arnaldo Antunes. As duas gostam da rua. Podem passar horas, muitos dias, como transeuntes sem destinação, ou então como observadoras ferrenhas da vida que se desenrola pela rua.
Algumas manhãs de sábado acordam cedo e se amam. Nada como a luz do dia pra se festejar um amor, ou um benzinho.
Tuesday, 10 March 2009
Vidro
Hoje de manhã me perdi numa esquina lá no Leblon.
Quando indaguei um rapaz a direção correta ele me olhou com seus olhos vidrados, e antes mesmo que eu terminasse a pergunta ele tinha um de seus olhos nas mãos.
Como se quisesse limpá-lo esfregou na camiseta, em seguida baforou no objeto, fazendo o olho nublar. E o olho como uma bola de cristal, ou uma antena, passava de dedo em dedo.
O rapaz com um buraco preto no rosto me olhou fundo nos olhos, como se pudesse ver mais sem seu olho de vidro. Um buraco preto que enxergava mais que meus dois olhos pretos juntos. Desviava meu olhar, que se apressava do nariz pra orelha, da ruga nos cantos da boca pros seus dentes amarelados. Não conseguia olhar fundo no buraco de seu olho.
Um buraco preto no rosto no lugar do olho que não estava mais lá. Um buraco. Um olho que falta.
Continuei perdida numa esquina do Leblon.
Quando indaguei um rapaz a direção correta ele me olhou com seus olhos vidrados, e antes mesmo que eu terminasse a pergunta ele tinha um de seus olhos nas mãos.
Como se quisesse limpá-lo esfregou na camiseta, em seguida baforou no objeto, fazendo o olho nublar. E o olho como uma bola de cristal, ou uma antena, passava de dedo em dedo.
O rapaz com um buraco preto no rosto me olhou fundo nos olhos, como se pudesse ver mais sem seu olho de vidro. Um buraco preto que enxergava mais que meus dois olhos pretos juntos. Desviava meu olhar, que se apressava do nariz pra orelha, da ruga nos cantos da boca pros seus dentes amarelados. Não conseguia olhar fundo no buraco de seu olho.
Um buraco preto no rosto no lugar do olho que não estava mais lá. Um buraco. Um olho que falta.
Continuei perdida numa esquina do Leblon.
Saturday, 28 February 2009
Manuel
Não é meu, é do Manuel
Mas como na boca ainda guardo o gostinho de mel... hehehe..lá vai!
Teu corpo é tudo que cheira...
Rosa... flor de laranjeira...
Do Poemeto Erótico de Manuel Bandeira
Mas como na boca ainda guardo o gostinho de mel... hehehe..lá vai!
Teu corpo é tudo que cheira...
Rosa... flor de laranjeira...
Do Poemeto Erótico de Manuel Bandeira
Wednesday, 25 February 2009
Balada romântica
Eu penso em você enquanto as horas passam
E elas vão passando uma por uma
Durante todo o dia
Eu penso em você de vez em quando
Enquanto passam as horas dos meus dias
E as horas que se vão não acalmam o meu coração
Eu penso em você
Eu penso em você
Eu penso em você durante todo o tempo
Uma baladinha romântica! Agora só me falta comprar um violão novo, uma vez que o meu ficou pra trás, em terras Londinium.
E elas vão passando uma por uma
Durante todo o dia
Eu penso em você de vez em quando
Enquanto passam as horas dos meus dias
E as horas que se vão não acalmam o meu coração
Eu penso em você
Eu penso em você
Eu penso em você durante todo o tempo
Uma baladinha romântica! Agora só me falta comprar um violão novo, uma vez que o meu ficou pra trás, em terras Londinium.
Wednesday, 18 February 2009
Todo, ou um pedaço de tudo?
No meu coração
Não cabe um grão
Nem de felicidade
Nem de pedra do chão
Nele não cabe nada
Não estou contando piada
Estou é catando pedaço
Pra ver se me laço
Se inteira me faço
E vou me preencher de mim mesma
E que seja em velocidade de lesma
- Será que tudo é um todo? -
Do meu coração eu tenho dó
Tadinho
Vive tão só
Não cabe um grão
Nem de felicidade
Nem de pedra do chão
Nele não cabe nada
Não estou contando piada
Estou é catando pedaço
Pra ver se me laço
Se inteira me faço
E vou me preencher de mim mesma
E que seja em velocidade de lesma
- Será que tudo é um todo? -
Do meu coração eu tenho dó
Tadinho
Vive tão só
Monday, 16 February 2009
Ele, o homem
Já vi homem grande chorar pequeno
Já vi homem feito tentar voar do parapeito
Já vi homem sério se engasgar com veneno
Já vi homem certo depois de um pulo dar defeito
Já vi homem macho ser menos homem que uma mulher
Já vi homem atleta deixar cair a peteca
Já vi homem bomba fazer tic-tac e nunca explodir
Já vi homem bom que por preguiça decide sempre mentir
Já vi homem forte não aguentar carregar seu próprio peso
Já vi tantos homens num homem só engatados todos num grande nó
Ai que dó! Ai que dó!
Já vi homem feito tentar voar do parapeito
Já vi homem sério se engasgar com veneno
Já vi homem certo depois de um pulo dar defeito
Já vi homem macho ser menos homem que uma mulher
Já vi homem atleta deixar cair a peteca
Já vi homem bomba fazer tic-tac e nunca explodir
Já vi homem bom que por preguiça decide sempre mentir
Já vi homem forte não aguentar carregar seu próprio peso
Já vi tantos homens num homem só engatados todos num grande nó
Ai que dó! Ai que dó!
Sunday, 15 February 2009
Vôo
No mundo não me falta coragem
Não me falta coragem para estar no mundo
Me falta coragem para estar em mim
Em mim falta coragem
Sou cheia de ações- falo, faço, amo, dou
Ate vôo
Mas para pousar em mim
Parece um sem fim!
Não é sambinha não. Sambinha é o que não é.
Acho que na vitrola da biba toca de tudo- até toca música que não é música.
Não me falta coragem para estar no mundo
Me falta coragem para estar em mim
Em mim falta coragem
Sou cheia de ações- falo, faço, amo, dou
Ate vôo
Mas para pousar em mim
Parece um sem fim!
Não é sambinha não. Sambinha é o que não é.
Acho que na vitrola da biba toca de tudo- até toca música que não é música.
Sambinha da Rosa
Rosa Maria
Rosa
Roda ao vento
Rosa
Rosa do amor
Rosa
Roda sozinha
Rosa
Rosa, Rosa
Meu amor
Rosa volta
Por favor
Rosa, Rosa
Rosa, Rosa
Meu amor
Rosa volta
Por favor
E assim vai... Mais um sambinha ruim de pé pra esse carnaval em que eu descobri que - Não ser é outro ser. Já dizia Fernando!
Rosa
Roda ao vento
Rosa
Rosa do amor
Rosa
Roda sozinha
Rosa
Rosa, Rosa
Meu amor
Rosa volta
Por favor
Rosa, Rosa
Rosa, Rosa
Meu amor
Rosa volta
Por favor
E assim vai... Mais um sambinha ruim de pé pra esse carnaval em que eu descobri que - Não ser é outro ser. Já dizia Fernando!
Friday, 13 February 2009
Sambinha de avião
Enquanto a tristeza
Dominar meu coração
Não vou falar de mais nada
Não vou dançar a canção
E os meus olhos cansados
Perdidos pelas ruas vão
Observar as pessoas descrentes
Enquanto a tristeza for senhora da razão
Não vou fazer festa
Não vou gritar viva
Vou andar descalça
Para sentir o chão
Tem coisas na vida
Que não adianta entendermos
Elas nos fogem
Da compreensão
Enquanto a tristeza fazer casa em mim
Vou viver por ai
Vou viver como um chorão
Escrevi com melodia de sambinha frouxo
Um sambinha torto
Com rimas safadas
E o descaso daqueles que sofrem de dor de amor
Dominar meu coração
Não vou falar de mais nada
Não vou dançar a canção
E os meus olhos cansados
Perdidos pelas ruas vão
Observar as pessoas descrentes
Enquanto a tristeza for senhora da razão
Não vou fazer festa
Não vou gritar viva
Vou andar descalça
Para sentir o chão
Tem coisas na vida
Que não adianta entendermos
Elas nos fogem
Da compreensão
Enquanto a tristeza fazer casa em mim
Vou viver por ai
Vou viver como um chorão
Escrevi com melodia de sambinha frouxo
Um sambinha torto
Com rimas safadas
E o descaso daqueles que sofrem de dor de amor
Thursday, 12 February 2009
levo o cara na lembrança
Ele dorme nu aqui do meu lado
Ele dorme nu
Ele dorme aqui do meu lado
O seu cabelo é todo desengonçado
Os seus olhos azuis ainda não resolveram se vão pousar em mim
Mas ele dorme aqui do meu lado
Ele tem sobrancelhas claras e os dentes curtos
Nunca vi dente pequeno assim
Mas ele ainda não sabe se vai sorrir pra mim
Ele dorme nu
E o nosso cheiro fica na cama e na minha pele
O nosso cheiro e ele
E ele dorme nu aqui do meu lado
Ele tem a bundinha mais linda que eu já vi!
Escrevi isso há tantos anos
Antes de casar e ter filho
É, é o cara
O cara já não é
Hoje vou dormir com ele só em pensamento
Ele dorme nu
Ele dorme aqui do meu lado
O seu cabelo é todo desengonçado
Os seus olhos azuis ainda não resolveram se vão pousar em mim
Mas ele dorme aqui do meu lado
Ele tem sobrancelhas claras e os dentes curtos
Nunca vi dente pequeno assim
Mas ele ainda não sabe se vai sorrir pra mim
Ele dorme nu
E o nosso cheiro fica na cama e na minha pele
O nosso cheiro e ele
E ele dorme nu aqui do meu lado
Ele tem a bundinha mais linda que eu já vi!
Escrevi isso há tantos anos
Antes de casar e ter filho
É, é o cara
O cara já não é
Hoje vou dormir com ele só em pensamento
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