Hoje de manhã me perdi numa esquina lá no Leblon.
Quando indaguei um rapaz a direção correta ele me olhou com seus olhos vidrados, e antes mesmo que eu terminasse a pergunta ele tinha um de seus olhos nas mãos.
Como se quisesse limpá-lo esfregou na camiseta, em seguida baforou no objeto, fazendo o olho nublar. E o olho como uma bola de cristal, ou uma antena, passava de dedo em dedo.
O rapaz com um buraco preto no rosto me olhou fundo nos olhos, como se pudesse ver mais sem seu olho de vidro. Um buraco preto que enxergava mais que meus dois olhos pretos juntos. Desviava meu olhar, que se apressava do nariz pra orelha, da ruga nos cantos da boca pros seus dentes amarelados. Não conseguia olhar fundo no buraco de seu olho.
Um buraco preto no rosto no lugar do olho que não estava mais lá. Um buraco. Um olho que falta.
Continuei perdida numa esquina do Leblon.
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Muito bom.
ReplyDeleteOi Bianca ! Adorei a sua vitrola !
ReplyDeleteVou te adicionar aos meus favoritos
para visita-la sempre!
Aproveita e da uma passada no ,eu blog pra
conhecer...
http://www.paraashoraslivres.blogspot.com
beijocas,
Dianna.
good! good!
ReplyDeleteBiba, adorei as músicas que você toca. Antenadas e poéticas.
ReplyDeleteThelma.