Friday, 10 April 2009

Cheiroso, o Manuel

Manuel era um cara cheiroso.
Muito asseadinho, sempre passava loção pós-barba.
Não era feio, mas tão pouco bonito era. Fazia sucesso entre as mulheres.
Tinha os olhos de chorão. Conseguia qualquer favor das moças com seu olhar safado.

Um dia Manuel andava distraído pela rua e não se deu conta do acontecido. Cruzava a travessa dos Telles quando se deu o ocorrido!
Nunca tinha se apaixonado por nadegas tão belas antes. Que remelexo, que gingado a morena tinha. Viu-se desde então apaixonado por aquele rabo de saia.

Todos os dias ficava espreitando e seguindo com rabo de olho a morenaça que passava cronometradamente às sete e meia da matina nos arcos de Telles e seguia descendo a rua até desaparecer da vista de Manuel. Manuel ainda não tinha tido a coragem de lhe dirigir a palavra, ou então seguir-lhe para ver aonde tal pitéu iria. Manuel se contentava em lhe ver passar.
Seu coração ia à boca, dava até suor nas palmas das mãos de Manuel, molhando-o a camisa.

O pobre coitado não se entendia mais, passava o dia inteiro na espera do dia seguinte, quando então às sete e meia da manha seu amor deixaria seu perfume adocicado pelo ar.

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