Marina saía de casa todos os dias pra passear lá na esquina.
Ela saía ainda com os cabelos molhados do banho. Nossa, era muito bom andar pela esquina com os cabelos molhados e um ventinho batendo. Ela descia pra rua de elevador por que ela morava num edifício. Várias janelinhas que abrigam vidinhas dentro. Várias janelinhas e portas para a gente poder entrar e sair. Afinal, ainda se pode ir passear ali na esquina. Só que marina era a única que ia dar uma volta logo ali. Era a única.
- Uma voltinha logo ali! Como assim minha filha? Ninguém pode ficar 'a toa.
Então pelas portas as pessoas só saiam para ir pra algum lugar. Não se engane que a esquina ali do lado não é lugar algum. Algum lugar consideravam ser o seu local de trabalho, a casa da mãe, o supermercado. Até pra ir passear era preciso saber onde se ia. Mas marina ignorava os olhos tortos que a olhavam com desprezo todos os dias quando ela saía de banho tomado e a pele limpa pra dar uma volta ali-ali. As janelas não serviam pra quase nada. Todas ficavam quase sempre o tempo todo fechadas. Algumas tinham grades. Outras sempre de cortinas cerradas. Assim como ninguém era como marina que todo dia ia passear na esquina, ninguém parava para olhar pela janela. De vez em quando alguém tentava escapar pela janela num ato desesperado e sem muito entendimento- nossa, pulavam!
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Tuesday, 27 April 2010
Tuesday, 2 March 2010
quintal de casa
lá no quintal de casa tem tirar fruta do pé e vem a vizinha gritar
seu zé, minha galinha sumiu
manga tem de montao e mais pitanga e cajá
se faz geléia e um café
rapaz desça já daí
me traz a chinela e o boné
vou lá, é chao que nao acaba mais
vou lá, é chao que nao tem fim
na minha direçao lá vem geraldo e seu caminhao
e o pó
já na praça avistei gessi dos lábios carmim
e o peito entao
coça de tanto amar
um saco de feijao, joaquim
e duas duzias de ovos frescos
um pedaço da lingua e dos bagos
que hoje tem festa de noivado
renda, alfinete, cetim e um brocado
branca, amarela, azul, flores no vaso
que hoje é dia de batizado
seu zé, minha galinha sumiu
manga tem de montao e mais pitanga e cajá
se faz geléia e um café
rapaz desça já daí
me traz a chinela e o boné
vou lá, é chao que nao acaba mais
vou lá, é chao que nao tem fim
na minha direçao lá vem geraldo e seu caminhao
e o pó
já na praça avistei gessi dos lábios carmim
e o peito entao
coça de tanto amar
um saco de feijao, joaquim
e duas duzias de ovos frescos
um pedaço da lingua e dos bagos
que hoje tem festa de noivado
renda, alfinete, cetim e um brocado
branca, amarela, azul, flores no vaso
que hoje é dia de batizado
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