Thursday, 30 September 2010

odor, ó dor!

Seu nariz fino, educado, logo percebeu o cheiro da Babosa- havia um morto por ali. Seu nariz foi educado, já na época da chupeta, a perceber os diferentes cheiros das situações que ocorrem durante a vida. Parece que a menina já tinha nascido sob os cuidados de uma aguçada sensibilidade olfativa.
Cada situação tem um cheiro específico. Lembranças, essas também tem cheiros. Esse dom olfativo, ajudava-a a saber se era amor no ar, se era morte que rondava o dia, se faria sol ou chuva. Pelo exímio uso que fazia de seu olfato, ela podia se adaptar melhor ao ambiente e conseguia agir com mais eficiência. Para a maioria das espécies animais (ela estava incluida nesse comboio), o olfato é uma questão de vida ou morte.
Dizem que é na parte mais antiga do cérebro, o rinencéfalo (cujo nome é composto por duas palavras significando- cheiro e cérebro), que está compreendida a área olfativa, e parece que o própio rinencéfalo teria se desenvolvido inicialmente a partir de estruturas olfativas. Isto indica que provavelmente a capacidade para experimentar e expressar emoções se terá desenvolvido da habilidade de processar os odores. O olfato é o mais primitivo dos sentidos.
Poucos percebem que, num mundo onde quase tudo tem odor, é esse sentido que decifra as mensagens químicas das quais freqüentemente depende a própria sobrevivência.
A função do olfato foi perdendo importância no decorrer da evolução das espécies. Os primeiros seres, que viviam nas profundezas dos oceanos, certamente só possuíam esse sentido, com o qual localizavam a comida, descobriam os parentes e evitavam os inimigos. O cérebro tinha apenas centros olfativos, que interpretavam os odores, e centros motores, que controlavam os movimentos. Quanto mais as espécies foram evoluindo, mais ia diminuindo o tamanho da área cerebral especializada no olfato,o rinencéfalo, que cedeu espaço para outras estruturas especializadas.
Como no caso das emoções básicas, a resposta imediata aos odores transmite uma mensagem simples: ou se gosta ou não se gosta; fazem-nos aproximar ou evitar.
E verifica-se ainda que, quando uma pessoa sofre um trauma que a faz perder o olfato, o impacto se torna por vezes devastador: as experiências de comer ou fazer amor ou mesmo passear numa manhã primaveril ficam extremamente diminuídas.
Dizem que quando um romance está perto do fim, a parte desinteressada no parceiro já não aguenta o cheiro do outro.
E no mais, tem um morto por ali. Ela sentia o cheiro dele.

4 comments:

  1. Biba! Adorei seu blog! Vou acompanhá-lo com mais frequência!
    Beijos

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  2. Dani, fui lá conhecer o seu também- bonito! vamos nos frequentar entao :)
    beijo.

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  3. Muito boa! E a parte inconsciente no rinencefálo guarda o cheiro perdido que nunca se acha, não adianta cheirar o Outro. E no mundo dos contatos virtuais, a literatura já não cheira a suor...

    Ann Nothing lhe aguarda!

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